No cantinho da fronteira
Purpurina flutuava
Bala de menta e cachoeira
Ardente bafo de balada
Gosto de saliva
Simples gesto de carinho
Som de gente que deseja
Singelo prato de caminho
Perfume, massa e flor
Lá no alto aquela casa
Sobe o medo e terror
Capatas cara amarrada
Cheiro forte de queimada
Grito forte de horror
Medo treme essa casa
Homem branco que chegou
Magia que nunca morre
Nem feitiço de Mãe Rute
Simples regra desta côrte
"Aqui se faz, aqui discute."
Foi macumba da boa
Essa que ela fez
Transforma branco em lagartixa
E madame em perereca
Devolve o ódio dessa gente
E transmuta a opressão
Sugere riso e alegria
Transforma dor em gratidão
De macinho se ergueu
Castelo, cor, brilho e luz
Estrela viva lá no céu
Jibóia Rosa
Renasce, seduz.


